terça-feira, 27 de outubro de 2009

Memória, Diário e Escrita

Ontem a noite, puxei uma agenda antiga, do ano de 2004, da minha estante de livros. Ela é exótica, tem a capa vermelha, escrita em baixo relevo, com uma fitinha vermelha que marca o dia. Pois bem, eu sempre quis fazer alguma coisa legal com ela, mas nunca tive muito o que fazer. Eu sempre tive pena de apenas riscar nela, como eu faço com as outras agendas, tanto que, se ela tem alguma página riscada, são, no máximo duas. Nunca entendi muito bem o meu amor por aquela agenda. Mas, ontem, ao puxá-la para longe da estante e sentar sobre a minha cama, com ela no meu colo e na mão direita uma caneta antiga da Betty Boop, eu soube. Parece coisa do destino, porque ao colocar a caneta nas páginas feitas de papel reciclado e terminar de escrever a data, ela virou um diário.

Eu sempre quis manter um diário, mas vou confessar que sempre foi difícil para mim. Não que eu não goste, porque eu adoro, mas é uma coisa diária (dã) e eu devo culpar minha memória de qualquer jeito. Em alguma vezes, eu escrevo sobre coisas sem nexo que acontecem durante meu dia, como um diário de bordo, o que acho meio errado. Ninguém mais vai ler aquilo, eu posso(devo) colocar algum sentimento e até mesmo coisas que os outros considerariam bobagem. Tive tantos diários durante toda a minha vida que me surpreendo. Eu gostava de anotar as coisas e lê-las alguns dias, meses ou até mesmo anos depois. Dá pra fazer um belo balanço de aprendizado e amadurecimento. 

Eu não guardei os meus diários mais antigos, só tenho algumas páginas mal escritas do meu ultimo diário diário (Sim, escrito diariamente... Isso durante uns dois meses, eu acho) de 2006. Recém tinha terminado um namoro, estava enrolada com um cara e meu melhor amigo e minha melhor amiga, na época, estavam juntos. Tem coisa pior pra uma cabecinha de 16 anos? Muita coisa mudou desde lá. Minha melhor amiga não é mais minha melhor amiga e não está mais com meu melhor amigo. Nunca mais vi meu ex-namorado e nunca mais falei com ele, mas sei que ele está lindo (que ironia) e semana passada encontrei o antigo enrosco numa festa... (eu não tenho jeito) O que mais me surpreendeu enquanto eu lia as páginas escritas e desenhadas com lápis, foi que eu não mudei muito. Tirando o fato da melhor amiga, do ex-namorado e do enrosco.

Meus sentimentos estavam lá, escritos do mesmo modo como eu os escreveria hoje. Como eu escrevi ontem. Tudo bem que eu evoluí na escrita, claro, e minha letra era mais bonita na época, apesar do "e" quadrado demais. Diários são um exercício para a memória. São bons para que não nos esqueçamos quem somos. É uma ferramenta para a humanidade conservar sua cultura, seu modo de fazer as coisas e seu modo de pensar. Algumas dessas ideias pertencem à Lizete Oliveira, mas tudo bem. Posso usar palavras de professores, não? (hihi) Temos que conservar nossos sentimentos, sensações e não apenas atos, como eu sempre fiz, porque daqui a um tempo, como as próximas civilizações saberão como nos sentíamos? Os antigos sumérios deviam ter pensado nisso. Acho que ninguém gosta de pensar que nosso primeiro registro é contábil... 

Enfim, daqui a alguns anos, eu quero poder olhar meu diário (antiga agenda de capa vermelha) e chegar a conclusão de que eu evoluí... ou não. Quero poder ler como eu me sentia, como eu me comportava, porque eu sei que minha memória não vai guardar tudo, também não seria possível. Quero poder lembrar muito bem de mim em determinada época.

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