segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O longo reinado do "E eu com isso?"


Famosa frase: "E eu com isso?" tem seu espaço garantido em qualquer conversa no dia a dia. Mas sabe o que faz essa frase ser tão banal nas nossas conversas? Sim, meu querido leitor, é o nosso descaso com o outro. Eu, na verdade, não posso me dar ao luxo de vir aqui e falar mal de quem não liga para o próximo, porque isso seria hipocrisia. Eu, do alto do meu egoísmo quando o assunto é bem estar próprio. Mas existem coisas que precisam visar o bem estar do próximo para depois chegar a mim. E eu demorei para perceber. Porém, percebi e minha maior vontade é dar uma lição em quem não percebeu ainda. O que custa cair em si, não é verdade?

E eu sempre gosto de contar a origem das coisas, já virou minha marca registrada. Essa semana, estava eu, tranquila, sentada no ônibus ao lado de uma senhora simpática (ou que parecia ser simpática, à primeira vista), lendo as angústias do Louis quando percebo que aquela senhora tirou uma bala da bolsa. Estaria tudo bem com a inofensiva bala, se a senhora não tivesse jogado o papel da mesma pela janela do ônibus. Aquilo me deixaria apenas irritada se aquela senhora não tivesse feito a mesma coisa diversas vezes pelo caminho. Resultado? Fiquei furiosa! Caramba, custa guardar o papel da bala e jogar no lixo quando tiver um lixeira pelo caminho? Custa esperar a hora de descer do ônibus, já que no coletivo tinha uma lixeira?


E essas são aquelas mesmas pessoas que quando veem lixo nas ruas dizem: "Ah, esses seres humanos porcos!" São as mesmas pessoas que quando são atingidas por uma enchente, perdem suas casas e descobrem que a causa disso foi o lixo acumulado nos boeiros, xingam os "seres humanos porcos". Hipócritas, é o que eu tenho a dizer. Cansei de ver esses exemplos perto de mim, de verdade. Vizinhos, para ser mais exata. Não adianta reclamar que a prefeitura não limpa a reserva ecológica que tem perto da sua casa se você é o primeiro a largar uma sacola na tal reserva. Sim, porque perto da minha casa existe um grande pedaço de terra em que existe uma mata "quase" virgem. A prefeitura limpa de vez em quando, limpa quando as pessoas começam a reclamar de aquela reserva ser um depósito de lixo. Custa cuidar?!


Sim, parece custar. Parece que vai doer, não parece? Parece que se você separar seu lixo e colocar os pacotes de bala na bolsa para depois jogar fora, você vai ser taxado de ativista, de chato ou "pior": de ativista chato. Eu prefiro ser taxada de ativista do que ter problemas mais tarde. Poxa, eu não quero que meus filhos vivam numa lixeira ambulante. Eu prefiro ser chata e dar um toque nas pessoas dentro do ônibus, quando eu vejo que elas estão fazendo isso. Eu tenho até umas ideias quanto a camisetas concientizadoras. Começo a colocar meu plano em ativa no ano que vem.


Tudo bem, não vou ser hipócrita, até porque eu detesto hipocrisia. É claro que eu já coloquei papel de bala no chão. É claro que eu já joguei chiclete pela janela do ônibus. E quem nunca fez? Acontece que existe a informação por aí. Existe a tão temida internet para nos ajudar a nos conscientizar. Só não busca quem não quer! Procura no google aonde a latinha de refrigerante que você jogou no chão vai parar. Procura, porque eu sei que existe um ciclo. Procura saber o que acontece quando você joga lixo em ambientes de reserva natural. Procura saber o que acontece com o lençol freático que passa debaixo da terra onde existem lixões.


Procura. Eu tenho certeza que depois que você souber das consequências e no que elas afetam a sua vida, você vai pensar duas vezes antes de jogar o papel de bala pela janela do ônibus. Você apenas não pensaria duas vezes caso fosse um daqueles "seres humanos porcos". Quem quer ser um "ser humano porco"? Eu é que não quero.

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