domingo, 30 de janeiro de 2011

Algazine, o zine estopim

Noite passada eu tive um sonho até interessante: uma mulher chamada Silvia Toledo me encontrava e dizia que tinha adorado ler meus contos. Os dois contos que eu havia publicado. No sonho, eu não havia entendido e perguntei para ela onde eu tinha publicado tais contos e como ela tinha tido acesso a eles. Ela me respondeu que era jornalista e que estava fazendo um estudo sobre Fanzines e que tinha encontrado dois fanzines algarvenses, onde constavam dois dos meus contos já escritos. Sei que durante o sonho ela me chamou para trabalhar com ela, dizendo que eu tinha talento para a escrita e essas coisas. Mas o que mais me deixou impressionada com a minha memória foi o fato de eu me lembrar inconscientemente desses dois contos no fanzine carinhosamente batizado de Algazine.


O Algazine foi um fanzine que rolou em duas edições pelo meu bairro (Jardim Algarve, por isso o nome) no ano de 2008. Idealizado por pessoas antenadas, o zine reuniu textos e arte de moradores daqui, além de notícias de bandas do bairro e noticias gerais. Eu, na época, não passava da mesma coisa que sou hoje: uma aspirante a escritora. Mas acho que valeu de alguma coisa espalhar para o mundo que eu gostava e escrevia. Não vou afirmar aqui que fui convidada a enviar um texto ou se ofereci um texto, não consigo me lembrar. Mesmo.

E o zine circulou. Acho que as pessoas não me conheciam, continuam não me conhecendo hoje porque eu ainda vivo mais em Porto Alegre do que no meu próprio bairro, mas eu não lembro de ter recebido mais de três ou quatro: "legal o conto". Talvez porque ele não fosse bacana. Na verdade "Espelho" não era muito bacana, parecia aquelas coisas de contos de fadas com aquela moral irritante ao fundo. Na época eu adorava o texto, hoje em dia eu procuro evitar lê-lo. Na verdade, eu ao menos me lembrava daquele conto antes de ter esse sonho. Meu inconsciente ainda me mata.

A segunda edição foi um pouco mais madura, também levando um conto meu. E eu preciso dizer que fiquei feliz? Não, não preciso, porque meu sorriso quando recebi uma das impressões para ler e ver o que estava ali publicado é indescritível. Da segunda vez meu conto era mais maduro. Uma mistura de terror com algum tipo de desequilibrio mental. 

Sim, "O Corpo" foi meu mais lindo filho até hoje. Um texto que pode ter um tipo de linguagem não muito ideal, mas que foi o cúmulo da minha criatividade antes do sobrenatural tomar conta de mim. Na verdade, o projeto desse conto era o sobrenatural, mas eu decidi por assim: desiquilibrio mental causado por trauma. Se eu tivesse feito alguma aula de psicologia, meu professor teria orgulho de mim. Ou me daria um "D". Simples assim.

Enfim, o Algazine foi um empurrão na minha vida. Foi um empurrão na cultura do meu bairro. Ele ainda tem um site (que não está mais ativo, pelo que parece) onde estão hospedados alguns textos e noticias, caso interesse a alguém: Algazine. Ah, o "Espelho" está publicado lá. A única coisa que me deixa triste é que eu não encontro "O Corpo" em lugar algum.

Devo comunicar a polícia, pedindo pela busca do meu filho preferido ou clamar por alguém que ainda tenha a segunda edição do Algazine para que me forneça meu conto? Ah e claro, se alguém conhecer a tal Silvia Toledo imaginária citada ali em cima, por favor não hesite em me ligar.

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