domingo, 8 de maio de 2011

Síndrome de Carrie

As pessoas me perguntam sobre a Síndrome de Carrie sempre que eu toco no assunto. Eu sempre comento que eu sou uma das pessoas tocadas pela Síndrome de Carrie e ninguém nunca sabe o que é; então, eu tenho essa tendência de acreditar que somente eu sou afligida por ela. Uma síndrome única de mim? Talvez eu seja excepcional. E não no bom sentido, propriamente dito. E, por favor, não confunda a genial Carrie, a Estranha com a entediante Carrie de Sex and the City.

Carrie sempre foi uma menina quieta, excêntrica, criada sob regras rígidas e uma falta de amor materno. Sua mãe, uma fanática religiosa, nunca foi grande coisa como mãe, então Carrie era retraída, um tanto medrosa e solitária. E por conta disso tudo, ela sofre os mais terríveis tipos de humilhações na escola. Eis que ela é convidada para o baile por um dos garotos mais bacanas da escola, que apenas queria fazer ela se sentir bem. Carrie é coroada rainha e enquanto tem a coroa sobre a cabeça, um enorme balde com sangue de porco cai sobre sua cabeça e ela se vinga de todos os colegas de escola, matando-os com seus poderes.

Eu sempre achei que o livro tinha de ser leitura obrigatória nas escolas, assim como sessões com o filme (tanto o de 1976 quanto o de 1999). Não porque é um clássico ou porque a história é legal, mas simplesmente porque abrange esse assunto chato que todo mundo vem falando agora: Bullying. Eu tenho a minha opinião sobre o bullying, e ela não é muito bem aceita, mas deixamos de lado o bullying para falar do real motivo do post.

A essa altura já se deve ter entendido o que é a Síndrome de Carrie. É medo de levar um balde de sangue de porco na cabeça. Obviamente que não é medo de, literalmente, levar o balde de sangue na cabeça no meio do baile, mas sim, medo de ser humilhada. Medo de ter o coração rasgado, de que as pessoas fiquem sabendo ou que consigam perceber que tu não estás bem. É nisso que consiste a Síndrome de Carrie, em ser humilhada, mesmo que essa humilhação aconteça apenas dentro de ti mesma.

Acho que ninguém chama pelo mesmo nome que eu chamo, mas normalmente quando uma coisa vem muito fácil tem cara de trapaça ou armação, não tem? É como aquela frase "Quando a esmola é demais, o santo desconfia". Pois então, a Carrie não percebeu isso, mas depois de ter assistido ao filme e de ter lido (no meu caso, apenas a sinopse) o livro a gente fica mais esperta cuidado para não errar onde a Carrie errou.

Eu teria medo de mim caso um balde de sangue caísse na minha cabeça.

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