quinta-feira, 28 de julho de 2011

Paixonite aos Onze

Acordei me sentindo estranha e a primeira coisa que eu pensei quando abri os olhos foi: “Caramba, minha primeira paixonite foi aos onze anos. Eu era uma criança e mal sabia cuidar de mim mesma.” Não sei por que acordei pensando nisso, mas durante todo o dia, enquanto eu estendia roupa no varal, lavava a louça do almoço e escrevia mais um capítulo da minha fanfic Adoráveis Férias Infernais, eu fiquei pensando nisso; na minha maldita paixonite dos onze anos. Só posso culpar minha natureza sensível que estava a toda na minha pré-adolescência e os garotos sem graça, mas interessantes que a vida me apresentava.


Eu sou sensível, não vou negar, mas como boa canceriana eu tenho essa bendita casca dura que me ajuda nos momentos mais difíceis. Eu sei esconder muito bem e em certos momentos a casca assume sua posição e eu nem sinto as coisas ruins batendo. Não é que eu esconda a minha sensibilidade e fragilidade no interior da casca o tempo todo; a coisa é que eu fui sensível e frágil durante tanto tempo, me escondendo atrás da casca, que aprendi a ser como a casca, dura e racional. É, eu posso ser sensível e racional.  

E a minha paixonite aconteceu num momento maluco, num ano em que eu tive o primeiro contato com lábios masculinos e que o menino me apareceu tão fácil que parecia impossível não acontecer nada. No final? Não aconteceu, o menino se mudou com os pais e os irmãos e eu só fui reencontrar a criatura três anos depois. Também não aconteceu nada nesses três anos depois. Ele era meu vizinho, tinha quatro irmãos (quase um Weasley) e sempre me chamava para jogar bola na frente de casa. Até brincou de casinha comigo uma vez e isso é totalmente notável. Um menino brincando de casinha comigo? Outra dimensão...! 

Acontece que isso me deixou pensativa e nostálgica durante a maior parte do dia. Na verdade, foi durante o dia inteiro. Lembrei dos jogos de vôlei, das nossas conversas até tarde no gramado do outro lado da rua, do dia em que combinamos de nos encontrar depois da aula e eu fugi dele... É, eu fugi do menino quando ele quis ficar comigo. Maldita pré-adolescência. Eu fiquei com medo, fiquei vermelha, estava enjoada... Uma série de coisas que me perseguem até hoje, mas hoje eu consigo lidar com isso. A canceriana não tinha desenvolvido a casca racional naquela idade e nem sabia beijar, o medo maior. 

Algumas amigas me chamavam de precoce, mas a única coisa que eu fiz quando tinha onze anos foi dar um selinho num menino durante uma festinha de uma colega da minha vizinha. Não era como se eu soubesse o que faria quando encontrasse o vizinho depois da escola. Não tinha como ficar segura... Não mesmo. Nem mesmo no final da adolescência eu conseguia ficar totalmente segura. Nem hoje eu consigo ficar totalmente segura; imagina quando não tinha nem entrado na adolescência! Só consigo pedir desculpas ao Raphael por ele ter sido deixado no vácuo pela minha eu de onze anos, mesmo que ele nem lembre de mim e muito menos, saiba da existência do blog.

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