quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Antiga Casa na Rua de Baixo

Eu nunca vou me esquecer da primeira vez em que eu quis escrever uma história sobre vampiros. Eu tinha treze anos, nunca tinha lido Anne Rice ou Bram Stoker e Meyer não tinha tido sua brilhante ideia ainda. Minha casa tinha sido recém reformada e isso tinha me proporcionado um quarto no segundo andar... Era um mundo completamente novo. Não vou exagerar, mas aquela reforma foi um marco na minha vida porque antes, minhas janelas apenas mostravam os muros cinzentos que nos separavam da casa dos vizinhos. Depois da reforma, eu passei a enxergar morros, as ruas de baixo e muitas árvores. Eu sempre gostei do verde e acordar com aquela visão me deixava inspirada. Porém, não era a visão do verde que me fez querer escrever uma história sobre vampiros.

Com a minha nova visão de mundo, veio um hobby um pouco estranho: observar as casa da rua de baixo durante algum período do dia, normalmente o entardecer. Pode parecer estranho, mas eu via coisas que me deixavam intrigada... Eu vi uma mãe puxando o cabelo de um bebê, vi um casal num momento não tão íntimo e via aquela senhora estranha, entrando e saindo de uma casa quase em ruínas. À princípio, não era nada, mas aquela senhora parecia muito suspeita para os meus olhos pré-adolescentes. De repente, eu tinha começado a prestar mais atenção na casa antiga que ela tinha e nos movimentos dela.

Eu nunca vi a casa aberta durante o dia e toda a vez em que eu via aquela senhora, ela tinha uma expressão estranha no rosto. Não era nada, mas o meu eu de treze anos resolveu que aquele fato podia dar uma história. Sobre vampiros. Eu sempre fui assim, as ideias surgem de coisas reais que acontecem ao meu redor, nenhuma das minhas ideias vêm do nada. Então, eu criei a sinopse na minha cabeça: eram uma família de vampiros que tinham se mudado para aquela casa. Eles bebiam sangue humano, não podiam ser tocados pela luz do sol e a única solução para a personagem principal terminar seus estudos era ingressar na escola local durante à noite.

Genial. E assustador.
Genial porque eu seria uma escritora medíocre de treze anos com uma ideia original, mas assustador porque, pensando nisso agora, eu nunca vi aquela senhora sair da casa antiga e quase em ruínas durante o dia... E se eu tivesse razão?!

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