segunda-feira, 12 de março de 2012

A Summer da Vida Real


O filme 500 Days of Summer só foi fazer parte da minha vida em 2011, depois que eu me rendi à ideia e resolvi voltar a assistir filmes que não fossem muito especiais para mim. Joseph Gordon-Levitt é uma gracinha e só a presença dele já renderia um plus para o filme, mas Zooey Deschanel ainda fazia parte do elenco com aquela franja incrível e um figurino invejável. A trama é original e nunca antes eu tinha me deparado com esse tipo de tema, o que apenas me deixou pensando no filme por mais tempo do que eu deveria dedicar a uma comédia romântica para passar o tempo. Acontece que eu percebi que existiam pessoas como a Summer no mundo real e uma delas era eu.


No filme, Summer é uma garota com uma lista considerável de namorados, total liberdade sexual e emocional, gostos peculiares, coragem de encarar o mundo e desapegada quanto a relacionamentos. A princípio, ela parece uma pessoa insensível e em certos momentos do filme até passamos a não gostar dela, mas e quando enxergamos com os olhos azuis e enormes que ela tem?

Summer não quer se envolver, mas não porque ela tem medo de um relacionamento, mas porque ela, simplesmente, não quer. Ela não quer rotular algo que não precisa ser rotulado e que se prova insustentável depois de algum tempo. Não se pode negar que ela é egoísta, porque se coloca acima de qualquer outra pessoa. Exemplo disso é quando entra em uma relação com o personagem de Gordon-Levitt: ela quer se divertir, quer sair com alguém, conversar e transar, enquanto o outro enxerga aquilo como uma relação onde ela é rotulada como uma namorada. Summer não se importa com o que o outro está sentindo, se preocupando apenas com o nível de envolvimento dela.  Eis que no final do filme vemos uma cena que pareceu improvável o filme inteiro: Summer está usando uma aliança na mão esquerda. Casada.


E o nosso espanto com o novo estado civil da personagem é o fato de que parece improvável que uma garota que mantém uma relação sem rótulos com alguém, possa aceitar um casamento com outro alguém. Parece improvável que em algum dia da vida dela, Summer levaria a outra pessoa a sério, se importando e se preocupando com o bem estar de uma relação. Porque sim, meus queridos, amar e manter um relacionamento dá trabalho. Quando não se está disposto a trabalhar para isso, opta-se pelo caminho que parece mais fácil: a relação sem rótulos. Apenas parece fácil porque se contarmos só com a variante de a outra pessoa não estar no mesmo patamar de intenções que você, a dificuldade sobe para 90%. E a Lei de Murphy aparece quando menos esperamos, então podemos contar que em 98% dos casos, a relação sem rótulos conta com um insatisfeito de não poder apresentar o companheiro aos parentes naquele almoço de domingo na casa da avó.

E o que isso tudo tem a ver comigo? Eu me descobri uma Summer. Eu não quero virar uma namorada, não quero frequentar almoços de família, não quero dar presente no dia dos namorados e nem ter que lembrar de datas importantes para não deixar o outro triste. Em contrapartida, eu quero ter alguém para beijar, alguém com quem dividir uma cama de vez em quando, alguém para conversar sobre qualquer coisa e principalmente, alguém que entenda que eu não quero nada sério. Mas eu afirmo que esse aspecto da minha vida, assim como da Summer, pode ter prazo de validade. Nada me impede de daqui a alguns meses, aparecer com uma aliança no dedo.

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