quinta-feira, 31 de maio de 2012

Curiosidade Eterna: o processo de escrita

Eu nunca estive em um encontro com autor ou entrevistas coletivas com autores, coisa que normalmente acontece nas bienais do livro ou encontros de literatura. Meu conhecimento sobre os autores da minha região é mínimo, então eu nunca frequentei esse tipo de evento. Mas se eu tivesse a oportunidade de conversar com meus autores favoritos, eu certamente perguntaria como acontece o processo criativo deles. Não sei se essa é a melhor nomeação para a coisa, mas minha curiosidade sobre como as situações se delineiam na cabeça de autores de livros de ficção é incrivelmente grande. Eu também perguntaria sobre inspiração, porque isso faz parte do processo, mas a inspiração não me interessa tanto quanto o processo de escrita e qual a estratégia dos autores de colocar isso no papel.

Eu costumo comparar o processo de escrita com a pintura de uma tela. Escritores são artistas e sua tela em branco é uma folha de papel ou um documento digital vazio. Ambos têm uma ideia na cabeça e começam a pensar em como darão forma àquela ideia. Precisa-se pensar no plano principal e já começar a delinear os detalhes enquanto coloca o plano principal em ação, porque eles é que darão brilho e destacarão sua obra por entre as outras. É um processo onde há apenas o escritor, a inspiração e o processo de criação. A inspiração é o que lança a ideia, mas como esses escritores colocam suas ideias no papel?

Eu gostaria muito de ver o George Martin decidindo quais personagens narrarão seu próximo livro e porque são eles os escolhidos. Gostaria de ver como ele resolve começar um capítulo, se é narrando o ambiente ou a própria personagem; se ele prefere usar pensamentos em itálico durante a narrativa para melhor entender as ideias da personagem ou se ele deixa tudo a cargo da terceira pessoa. Eu queria muito acompanhar o processo de escrita da J.K. Rowling durante uma descrição de batalha em Hogwarts. Quais os pontos de vista que ela escolhe, porque ela escolhe certos cenários, se ela acha melhor usar uma escrita mais rápida ou mais atenta a detalhes e, consequentemente, mais lenta... Tudo isso me fascina porque são perguntas que eu faço a mim mesma enquanto escrevo.

Entendedores entenderão.
Eu não tenho tantos escritos originais além dos contos que eu vou escrevendo aos poucos, quando a inspiração acontece, e as únicas histórias mais longas que eu já consegui terminar foram fanfics. Mas não é o suporte que importa porque, em todos eles, meu processo é exatamente o mesmo. Tenho a inspiração e com ela vem o delinear de trama e personagens. Logo em seguida, escolho se a narração será em primeira ou terceira pessoa. Depois de escolhida, normalmente com a vitória da terceira, embora em ache a escrita em primeira pessoa infinitamente mais fácil, começa o processo de escrita propriamente dito.

Eu faço uso de uma tríade que sempre me acompanha a cada inicio de capítulo: contexto, personalidade de personagens e aparência de cada um deles. Eu gosto de situar o leitor no espaço a cada troca de cenário. Gosto de deixar o leitor saber de que cor são as paredes da sala, de qual madeira é feita a mesa de jantar e qual a vibe que preenche o local. Gosto de deixar o leitor saber de cada detalhe da aparência das minhas personagens enquanto conto como é a personalidade de cada uma delas. Eu gosto da mescla de contexto, personalidade e aparência e posso dizer que essa é minha marca registrada.

Meu leitor nunca vai ficar sem saber como é o local onde a personagem está, como ela está vestida e como está se sentindo. Esse é meu processo de escrita, uma chuva de detalhes para melhor situar o meu leitor, o que não quer dizer que eu não posso usar de outros métodos de escrita. Meu objetivo no momento é conseguir escrever um conto usando de características beat: escrita fluída, quase sem edição e com temáticas nada egocêntricas. Verdadeiramente um desafio para a escritora detalhista que vos escreve.

Em tempo de Comparações: Já ouvi que minha narração cheia de detalhes parece a narração de Tolkien. Não que isso tivesse me deixado feliz, porque eu nunca consegui terminar um livro de Tolkien.

Um comentário:

  1. Isso é coisa de profissional, parece que já é uma! Curti, curti e curti mais uma vez :P

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