sábado, 30 de junho de 2012

Meus Personagens estão nas Ruas

Se alguém me perguntasse onde está a minha inspiração para criar personagens, eu saberia exatamente o que dizer. Eu diria que está nas ruas, nas minhas salas de aula, nos meus amigos, no meu namorado, nos meus pais e, principalmente, em mim mesma. Não adianta dizer que o personagem surge pronto na nossa cabeça, porque cada detalhe dele é criado pela nossa consciência criativa de acordo com coisas vistas no nosso dia a dia. Se eu pegar uma personagem minha e começar a desmembrá-la, posso dizer exatamente de onde tirei cada caracteristica dela porque tais caracteristicas vêm de coisas que eu vi em pessoas que eu admirei ou apenas cruzei nas ruas. Sim, a base da minha inspiração vem principalmente de pessoas que eu vi apenas uma vez, que eu nunca conversei e das quais eu não sei absolutamente nada. Muito mais liberdade para acrescentar coisas de conhecidos.



Eu gosto de delinear personagens e histórias de vida logo após criar a base da história. Minha linha de montagem começa com a ideia de história, passando pelos detalhes da trama e pelo delinear de personagens. Acho que eu gosto mais de criar vidas do que histórias, propriamente ditas. É mais fácil contar a vida de um personagem sem a interferência direta de outros, porque acho que essa é a grande graça de ser um escritor. Você cria vidas, cria história, cria personalidades, cria pessoas... É brincar de deus de uma maneira que as pessoas aprovam e gostam. Eu gosto de observar os outros e é por isso que eu gosto de inventar pessoas: porque eu posso criar situações que eu gostaria de ver na vida real.

No último parágrafo eu disse que gosto de observar as pessoas, imaginar como é a vida delas e quando eu não sei como é, inventar segundo alguns critérios captados pelo ar. Eu gosto de encontrar nos meus personagens as pessoas que me rodeiam e quando eu não encontro, pode ter certeza de que eu não tenho medo e nem pena de mudar caracteristicas e personalidades. Acho que a graça para mim é ver que meus personagens são palpáveis, que as pessoas poderiam encontrá-los por aí, assim como eu encontro.

Tenho personagens com o gênio da minha mãe, com a excentricidade do meu pai, com o nariz e a altura do meu namorado, com a elegância da minha chefe, com os meus cabelos e com o humor da minha irmã. Tenho personagens com o estilo de uma colega que eu não sei o nome, com o jeito largado de um cobrador de ônibus com o qual eu pego o ônibus de vez em quando, com a voz de um bibliotecário da minha faculdade... Meus personagens estão na rua e continuarão vagando por ela até eu cansar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se sinta à vontade para comentar o que quiser sobre o artigo lido, apenas mantenha o respeito às pessoas.