terça-feira, 3 de julho de 2012

Shiloh Nouvel, a Mulher Livre

Há algum tempo atrás, minha mãe me mostrou uma notícia que falava sobre a filha de Brad e Angelina, Shiloh. Apenas por existir essa menina é notícia, mas o que vinha chamando a atenção da mídia era o modo que a menina de três anos (na época) se vestia. Ela usava o cabelo cada vez mais curto, roupas cada vez mais masculinas e, aquilo que a notícia gritava, queria ser chamada de John pelas pessoas ao seu redor. Um tablóide americano ainda foi mais longe, afirmando que Angelina é quem estava transformando a filha em um menino. Quando perguntada, Jolie disse não se preocupar com a sexualidade da filha e que também teve uma fase em que gostaria de ser menino e que se vestia como um. Minha pergunta é: porque essa notícia é tão bombástica? E a de vocês deve ser: o que teria a filha de Brangelina a ver com o termo "Mulher Livre"? Eu afirmo que tudo.




Que os gêneros são socialmente construídos, todos nós sabemos. Desde antes do nosso nascimento, as coisas caminham para essa construção social. Meninos usam azul e brincam com carrinhos, enquanto meninas usam rosa e brincam de boneca. Meninas tem cabelos compridos e tem que sentar de pernas fechadas porque usam vestido, enquanto meninos usam cabelo curto e bermudas porque facilita na hora de brincar. Se as coisas seguirem essas regras, o mundo anda muito bem, sem se preocupar com a polêmica da quebra de tabus.

Mas é quando alguma dessas regras é quebrada ou desviada que o mundo do "gênero que combina com sexo sem espaço para brecha" entra em colapso. É assim com os gays, com as lésbicas, com os bissexuais e com as meninas que se vestem como meninos durante a infância porque acham mais divertido ser menino (e vice-versa). Sexo e gênero independeriam um do outro se a sociedade desse espaço para isso e, como ela não dá, a polêmica se instaura, o mundo se divide entre quem concorda ou não e o acontecimento ganha dimensões maiores do que deveria. A sociedade teme esse desvio da regra dos gêneros-sexos porque as coisas sairiam do controle. A aparência não mais valeria para nada e uma mulher que se veste como um homem não veria a surpresa no rosto de alguns por dizer que gosta de homens ou a confirmação no rosto de outros porque diz que gosta de mulheres.

Shiloh é uma criança e, como afirmou Angelina, essa é uma fase que todas nós já tivemos. Indo um pouco mais longe, saber como são as coisas para o outro sexo é uma curiosidade eterna. Eu ainda tenho a curiosidade de saber como é urinar em pé, qual é a sensação de uma ereção, como é caminhar tranquilo em um bar sem vários caras se atirarem para cima perguntando se eu sou solteira... Eu apoio o modo como Brad e Angelina estão criando os filhos, respeitando profundamente a individualidade de cada um e respeitando as vontades deles.

A relação com a "Mulher-Livre" começa quando Shiloh tem a liberdade de se vestir como quer, de brincar do que quiser e ser respeitada por isso. A luta para as mulheres não acabou e enquanto não formos mulheres livres como Shiloh, essa luta nunca estará acabada. Nós não somos livres, vide o exemplo de Shiloh. Se nós fossemos livres, a notícia não seria sobre uma menina vestida como menino, mas sim sobre o senso de estilo que a garotinha tem. Ela usa blazers, chapéus e tênis super estilosos, mas só porque foram feitos para meninos não merecem atenção.

A mulher-livre apenas vai existir quando pudermos nos vestir como quisermos sem sermos julgadas por isso; quando pudermos sair vestidas como homens sem nos catalogarem como lésbicas; quando nossas mães pararem de nos colocar em vestidos cheios de babados e não nos deixarem brincar na areia porque somos mocinhas e devemos nos comportar como tais; quando a sociedade aprender que sexo e gênero são coisas diferentes e que cada um é cada um; quando uma mãe parar de ser questionada de porque sua filha tem o cabelo curto e nao usa brincos. E, finalmente, quando Shiloh Nouvel puder andar em paz sem ser comparada a Suri Cruise em sua "feminilidade" sem pudores.

Um comentário:

  1. Eu como mulher nao acho legal a Angie aceitar e comprar roupas de homem para a filha..ja se passaram 4 anos q ela usa o mesmo estilo masculjno...acho que chega neh...nao se deveria incentivar isso. Acho..feio sem graca nada sexy e nada a ver....e olha q ate gosto de mulher e tenho amigos gays mas nao fica bonito o que essa linda menina ta fazendo c ela mesma....ser gay lesbica ou bissexual tudo bem mas acho q cada um deve ter mais senso do ridiculo....muito feio mulher machuda
    ....credo

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