sábado, 11 de agosto de 2012

A minha Teoria da Relatividade

Física nunca foi o meu forte e minha curiosidade sobre físicos e matemáticos ficava restrita ao Galileu Galilei, mais por causa da astronomia do que qualquer coisa. Nunca fui grande fã do Einstein e não saberia explicar a tal Teoria da Relatividade nem se minha vida dependesse disso, envergonhando todos os professores de física que eu já tive durante meus nove anos de ensino básico. Mesmo que esse post não tenha nada a ver com Einstein, ele tem tudo a ver com relatividade, porque eu descobri que essa palavra coordena a minha vida nos mais diversos sentidos. Eu descobri que eu sou regida pela lei dos pontos de vista e das várias verdades, na qual tudo é relativo.

domingo, 5 de agosto de 2012

[conto] Barreira

Não foi de uma hora para a outra que o mundo resolveu se apagar para mim. Começou com pequenos encobrimentos, como o teto de grandes salões ou rostos de pessoas muito próximas. Quando eu percebi, o meu campo de visão estava tão pequeno que eu precisava de uma lupa para conseguir ver meu próprio nariz no espelho. Então, eu acordei certo dia e não abria os olhos. Eu esticava as pálpebras, acendia a luz do abajur e chegava tão perto dela que sentia o calor no meu rosto, mas a luz não passava por aquela barreira negra que cobria meus olhos. O mundo tinha escurecido e se transformado em um grande emaranhado de sensações e ruídos. Alguns sentiram pena de mim, outros diziam que eu tinha merecido, mas a única coisa que me ocorria é que eu tinha uma nova oportunidade de enxergar o mundo. A barreira negra me impedia de ver, mas eu passara a enxergar uma realidade diferente daquela que eu conhecia antes. Eu percebi que as rosas têm cheiro e que cada pessoa tem um perfume completamente diferente da outra. Eu descobri que a grama era acetinada sob meus pés descalços e que o vento me fazia sentir cócegas. Eu conseguia sentir o gosto deixado pelo louro no feijão e sabia definir perfeitamente as divisões gustativas da minha língua. Eu aprendi a ouvir o som do mar e a entender que um mi é completamente diferente de um fá. Depois de alguns anos convivendo com aquela barreira, eu passei a desconsiderar quem tinha pena de mim ou quem achava que eu merecia aquele mundo completamente escuro. Eu ignorava essas opiniões e aprendia a viver com aquelas que realmente importavam, porque vivendo naquele mundo escuro eu tinha aprendido a sentir. A realmente sentir.