sábado, 11 de agosto de 2012

A minha Teoria da Relatividade

Física nunca foi o meu forte e minha curiosidade sobre físicos e matemáticos ficava restrita ao Galileu Galilei, mais por causa da astronomia do que qualquer coisa. Nunca fui grande fã do Einstein e não saberia explicar a tal Teoria da Relatividade nem se minha vida dependesse disso, envergonhando todos os professores de física que eu já tive durante meus nove anos de ensino básico. Mesmo que esse post não tenha nada a ver com Einstein, ele tem tudo a ver com relatividade, porque eu descobri que essa palavra coordena a minha vida nos mais diversos sentidos. Eu descobri que eu sou regida pela lei dos pontos de vista e das várias verdades, na qual tudo é relativo.



Eu não sou uma pessoa que muito crê, já adianto isso. Por mais que eu simpatize com certas coisas, eu não costumo colocar fé nelas, principalmente quando se trata de religião, certo e errado, bem e mal, moral e essas coisas. Minha irmã diz que eu sou uma eterna "em cima do muro", minha mãe diz que eu não escolho lados e eu me considero uma pessoa que prefere não tomar um lado porque consegue enxergar pelos olhos do outro. Uma alma muito desenvolvida a minha, hein?

O mundo, para mim, nada mais é do que um emaranhado de pontos de vista. Então, o bem/mal e o certo/errado, em certos casos, nada mais são do que pontos de vista para mim. Não há nada que aconteça ao meu redor, e para longe de mim, que eu não analise ambos os lados. Usando a máxima dos meus professores de história e uma das máximas de Nietzsche: não existe uma verdade, mas várias verdades, porque a verdade é um ponto de vista. SIM! Existem várias versões da mesma história e porque apenas uma delas tem que ser a certa? Porque não podemos ter várias versões?

Esse é meu modo de encarar o mundo. Eu acredito nas várias versões de uma mesma coisa, nos diversos pontos de vista e nas várias verdades em torno de um mesmo fato. Somos humanos e quando olhamos para tais coisas, nunca viemos limpos. Sempre trazemos uma bagagem infindável de impressões, preconceitos, conceitos e crenças. Considerando tudo isso, se torna impossível, acreditar que possa existir apenas uma verdade, apenas uma versão, apenas um ponto de vista e apenas uma crença.

Fou um parágrafo de um livro que me fez perceber a relatividade das coisas. O parágrafo falava da relatividade da magia branca e negra, usando o exemplo de um feitiço para derrubar um ditador. Visto pelos olhos de quem lançou, o feitiço era uma magia branca, mas visto pelos olhos de quem recebeu, o feitiço era magia negra. A relatividade está em tudo, por isso eu não acredito que exista um certo/errado universal ou um bem/mal universal. Então isso quer dizer que eu acho que um assassino deva ser inocentado porque ele não achava ruim o que fez? Não, não foi isso que eu disse.

O que eu estou dizendo é que vendo o mundo do modo como que vejo, é fácil tentar entender as intenções das pessoas e analisar friamente a situação. O que levou o assassino a cometer o crime: prazer, vingança, doença..? Claro que isso não diminui o que ele fez, mas existem os pontos de vista e eu não acho que a pessoa esteja certa por matar alguém, mas é possível entender as razões dela. Acho que o exemplo mais claro dessa situação é Hitler.

Hitler foi um cara mau, um desgostoso com a vida, um preconceituoso como nem um outro jamais foi e um péssimo cristão (com uma pitada de ironia). Mas e se olharmos Hitler com outros olhos? Ele foi um cara muito inteligente, um manipulador como nem um outro jamais foi e dono de um poder incrível de oratória. Ele matou milhões de pessoas, mas foi apenas UM homem movendo uma nação inteira (e mais dois países quando na época da guerra, propriamente dita) em prol de um único objetivo. Ele não foi só bem e não foi só mal, depende do ponto de vista. E que fique registrado que eu não tomo partido.

É dificil expressar essa opinião no mundo em que vivemos, pois as pessoas parecem não querer analisar ambos os lados. Não existe uma discussão, hoje em dia, que não ataque a verdade de cada um, o ponto de vista de cada um, a crença de cada um. Falar sobre o poder de oratória do Hitler é o suficiente para me tornar uma nazista aos olhos de algumas pessoas; dizer que eu compreendo os motivos do assassino do parágrafo acima é o suficiente para me tornar uma conivente da inocência dele; usar as palavras "erradas" durante uma discussão sobre religião é o suficiente para que eu vá para o inferno.

Antes de eu entender esse meu modo de encarar o mundo, eu pensava que eu não era coerente com o que eu pensava. Eu vejo essa "incoerência" nos meus escritos. A maioria dos meus contos e livros inacabados é sobrenatural, então eu falo sobre as mais diversas criaturas sobrenaturais, sobre os mais diversos meios de ver a funcionalidade espiritual do mundo e sobre os mais diversos tipos de criaturas divinas (lê-se deuses e deusas, entidades sobrenaturais e presenças etéreas).

Um amigo me perguntou uma vez em qual daquelas versões, que eu já tinha usado para ilustrar o mundo, eu acreditava. Eu respondi que nenhuma e todas ao mesmo tempo, porque para mim não passava de pontos de vista, de versões e de mitologia e porque não poderiam todas coexistir?

Meu namorado costuma dizer que as pessoas tem que encontrar a sua verdade. Ele já encontrou a dele e está muito feliz com ela. E, apesar de não parecer, eu também já encontrei a minha. Alguns podem pensar que não se é possível viver plenamente com esse modo de enxergar o mundo, que é apenas um modo de nunca querer tomar partido e ficar sempre em cima do muro, mas é possível e eu acho que me torna uma pessoa ainda melhor, porque eu consigo analisar e entender as situações e as pessoas de uma maneira mais abrangente.

Deve ser um saco conversar comigo, porque depois de certas afirmações, eu costumo usar a expressão "ou não", como prova clara do meu modo de ver o mundo repleto de vários pontos de vista.

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