domingo, 20 de janeiro de 2013

'Liberal Arts' e a arte de namorar alguém mais velho

Eu adoro filmes indie e quanto mais indie, com atores desconhecidos, roupas incríveis e uma história que poderia estar em um livro para jovens adultos, melhor. Então, entre os meus favoritos está Like Crazy e o novo Liberal Arts, com a apaixonante Elizabeth Olsen. Quem diria que eu me apaixonaria por uma trama que parecia extremamente manjada? Porém, eu me apaixonei por tudo naquele filme e eu sei que eu me apaixonei porque eu me identifiquei com o final realista, sensível e revelador que ele teve.




A trama manjada segue um homem de trinta e cinco anos, Jesse, passando por uma crise. Ele detesta o que faz, ele foi abandonado pela esposa, ele vai todo o dia à mesma livraria e ele elegeu o tempo na faculdade como o melhor tempo de toda a vida dele. Então, um antigo professor o convida a voltar ao campus para a festa de aposentaria dele, o que dá a oportunidade de Jesse reviver parte dos tempos que viveu lá. Ele conhece a alternativa Zibby, uma estudante de artes liberais que adora teatro, literatura e discussões filosóficas. Eles se apaixonam e os problemas giram em torno da idade dos dois, pois Zibby tem apenas dezenove anos. E é durante essa relação arriscada entre os dois (sim, porque ele inclusive faz as contas quanto à diferença de idade e acha tudo muito estranho, enquanto ela quer, inclusive, perder a virgindade com ele) que o filme traz uma discussão que eu achei pertinente, mas que pode ter acontecido apenas para mim e para quem já se envolveu com uma pessoa mais velha numa relação romântica e caiu fora.

No final do filme, Jesse percebe que aquela relação serviria para ele manter inacabada a fase de sua vida que ele achava perfeita, enquanto Zibby percebe que a relação funcionava como um atalho para a idade adulta. Jesse via em Zibby uma eternidade para a sua juventude na faculdade, enquanto Zibby projetava em Jesse uma vida futura. Ele, então, decide se deixar crescer e ser um homem de trinta e cinco anos, enquanto ela decide se manter onde está e ser uma menina de dezenove anos. Essa é a frase que ela usa: "Eu percebi que você era um atalho para eu alcançar minha vida adulta", então ela completa dizendo que não queria perder a juventude dela e todas as experiências que ela teria naquela fase. Não são exatamente essas as palavras que ela usa, mas essa é a ideia que ela lança no final do filme.

E essa ideia é real e pertinente, só que alguns a ignoram e outros a acatam.
 

Eu me envolvi com um cara dez anos mais velho do que quando eu tinha dezoito anos. Ele não era tão mais velho, mas é esse sentimento que impera quando se está num relacionamento como esse. Eu tinha dezoito anos, mas me via imaginando como a minha estaria em dois anos, quando ele tivesse trinta anos e eu vinte. Eu estaria na faculdade e no início da minha carreira profissional, mas ele já teria passado por aquilo séculos antes. Eu ia querer sair para festas, beber em bares e dançar a noite inteira, mas ele ia querer encontrar algo mais produtivo para se fazer. Ok, nem todos os homens de trinta anos são assim, mas na minha cabeça naquela época era assim que a coisa funcionava no mundo adulto.

Ficar com um cara mais dez anos mais velho do que eu, automaticamente, significava crescer dez anos num tempo muito reduzido. Eu teria que acompanhar o tempo dele, porque ele talvez não tivesse mais pique para acompanhar o meu. Mas esse sentimento de ter que crescer antes do tempo vem principalmente quando se fala em planos para o futuro. Muitas pessoas têm uma ideia de onde estarão dali a dez anos e o meu plano era muito diferente do plano do cara com quem eu ficava, porque o plano dele estava dez anos à frente do meu. Isso me incomodava muito, principalmente porque eu sentia que teria de abdicar de muita coisa. Se nos planos que ele fazia comigo, ele estaria casado aos trinta e dois anos, isso significava que eu teria vinte e dois e eu não queria casar antes dos vinte e sete, quando ele teria trinta e sete.


Repito que não é com todas as pessoas que isso acontece, algumas preferem mesmo pegar esse atalho, mas eu me vi na Zibby quando ela percebe que deveria escolher o caminho mais comprido porque ele lhe daria mais experiências e que valeria mais a pena para ela. Eu não quero apressar as coisas. Eu quero ter vinte e cinco anos quando eu tiver vinte e cinco anos. Mas se tem uma coisa que eu admiro são os casais que conseguem manter uma relação quando se tem uma diferença grande de idade entre os dois, porque isso quer dizer que a idade deles não está no corpo e, sim, na cabeça. Só que ao mesmo, há uma disfunção aí, porque a idade mental e a corporal não combinam... só para comentar.

A idade do meu corpo é a mesma da minha cabeça, felizmente ou não. Não sei.

Até mais,
MariBo.

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