segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Admirável Mundo Estereotipado

Há algum tempo atrás, as pessoas pareciam ser mais fáceis de se ler, de se interpretar e de se classificar; sim, por que o que seria do ser humano se ele não pudesse classificar as coisas e criar estereótipos para tudo?! É sabido que os brasileiros gostam de carnaval, que as portuguesas têm bigode, que os árabes são terroristas e que meninos jogam Call of Duty. Eis que com a chegada desse abençoado mundo globalizado, de informação rápida e livre expressão, as coisas mudaram e essa classificação vai sendo esquecida, porque o mundo não é mais preto e branco, com suas delimitações de personalidade e preferências, mas se torna mais cinza a cada instante. E eu tenho que admitir que, nesse caso (no caso de desmatamento, não) eu prefiro o cinza.

Foi um episódio da ótima The New Normal que me deixou mais certa disso. Na trama do episódio, dois homens estavam sob suspeita de serem gays pelas namoradas apenas porque apresentavam comportamentos e gostos que homossexuais apresentam. Ao final descobrimos que um deles é gay, enquanto o outro não é, mesmo que eles se comportassem de maneiras iguais. Aquele que não é gay comenta que o mundo não é mais preto ou branco e que as pessoas tem que começar a se acostumar com isso. E essa é a mais pura verdade! Nada mais é o que parece ser nesse mundo mudado, onde héteros podem perguntar qual é o condicionador que a cabeleireira da namorada usa ou gays podem assistir futebol na TV o dia inteiro.


Não é porque eu sou feminista, mas eu detesto qualquer tipo de estereótipo. Me parece que para manter uma sociedade segura, as pessoas tem que parecer aquilo que são; só que as vezes, eu não pareço aquilo que eu sou, então eu crio um problema. Eu, Mariana, nunca gostei de rosa e é raro quando alguém me vê usando rosa, mas quem disse que as pessoas me perguntavam antes de comprar roupas ou brinquedos para mim? É menina, então gosta de rosa. É americano, então gosta de McDonalds. É negro, então gosta de Rap. É loira, então é burra. É asiático, então é bom em matemática. Usa saia curta, então é vadia. Mora no morro, então é traficante. Hoje mesmo, eu falava de uma antiga colega de escola e para identificar a menina, minha mãe perguntou se era "aquela lésbica"; ela não é lésbica, mas apenas porque usa cabelo curto e calças largas, então cola velcro.

Eu sempre vou falar do livro do Stuart Hall, porque ele mudou a minha vida e, logo no primeiro capítulo, ele fala algo parecido com a ideia desse post; ele fala que o ser humano pós-moderno, esse que vive com informações extra-rápidas e tecnologias literalmente na ponta do dedo, não pode mais ser classificado como se fazia antigamente. Ele é um ser que se identifica com muitas coisas ao mesmo tempo e isso causa uma imagem contraditória para ele. Um homem pode fazer as unhas e continuar hétero? Nesse mundo pós-moderno pode, porque as coisas não são mais preto e branco. Fazer as unhas não é mais o branco e hétero, o preto. Existe o cinza agora e esse homem que transaria com a manicure dele representa isso, assim como todos nós que não somos o que aparentamos ser ou o que esperam que nós sejamos. Estereótipos não deixam espaço para liberdade de ser. Estereótipos te prendem em um quadrado e dali, você não pode sair. Alguém mais vê o quão prejudicial e limitador isso é?

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