terça-feira, 26 de março de 2013

Criaturas sobrenaturais e sua subjetividade

Na noite passada, eu assisti um filme que eu nunca tinha sentido vontade de ver, mas que, como estava dando na televisão, resolvi dar uma chance: O Lobisomem com o Benício del Toro. Um monstro ataca pessoas num vilarejo, o personagem do Benício del Toro é mordido, trama vai, trama vem, meu pai comenta que "bom que fizeram um lobisomem e não um homem que se transforma em lobo". Isso me fez franzir a testa porque a todo momento, eu pensava que um lobo humanóide é bobagem e que o melhor mesmo é um homem que se transforma em lobo. Para mim, a mágica está mais presente onde a essência humana é devorada totalmente pela do animal, mas para o meu pai o interessante é quando o monstro faz jus à palavra lobisomem. E eu fiquei surpresa quando isso me levou a pensar nas criaturas da Stephenie Meyer e nas nossas representações favoritas desses monstros.

Essas criaturas sobrenaturais são subjetivas demais para que a gente dê só uma representação para elas. Não que eu esteja defendendo o Clã Cullen ou os Irmãos Salvatore, até porque eu acho que tudo tem um limite, mas tudo o que existe acerca dessas criaturas são imaginação humana, lendas urbanas e mais imaginação humana... Porque escolher apenas uma versão e demonizar as outras? O ser humano nunca vai concordar com apenas uma visão das coisas, nunca vai existir um certo e errado válido para todos ou uma interpretação igual para todos, assim como nunca vai existir uma versão verdadeira de uma criatura que ao menos existe.



Confesso que no começo dos tempos, eu ao menos gostava dessas criaturas, mas com o tempo, eu fui conhecendo mais livros, filmes e lendas sobre elas e, assim, descobri aquelas versões que eu gosto mais. E acontece a mesma coisa com todas as pessoas. É inevitável que a gente tenha uma versão de lobisomem ou vampiro que nos atraia mais. O meu pai cresceu vendo filmes de lobisomens humanóides, então eu imagino que seja frustrante quando a criatura é apenas um homem que transforma em lobo. Já eu, pelo contrário, fui apresentada aos lobisomens quando era comum a parte animal esconder completamente a parte humana.


Eu vejo muitas pessoas reclamando e dizendo que os vampiros de Meyer são uma bobagem e uma ofensa aos verdadeiros vampiros. Mas eu pergunto: que verdadeiros vampiros são esses? Dráculo e Nosferatu? Aqueles dois personagens que são releituras de uma lenda urbana que atravessou os séculos..? Por quê os Cullen ou os Salvatore são menos vampiros se também são releituras dessa mesma lenda urbana? Apenas porque escolhemos não gostar deles e odiar qualquer coisa que vire moda (embora brilhar no sol ainda seja MUITO para minha cabeça).

A verdade é: o mundo muda e com ele muda a cabeça das pessoas. Com essa mudança de pensamento e visão das pessoas, é comum que aconteça mudanças de paradigma e mudanças de interpretações sobre certas coisas. Se não existisse essa mudança, coitada da humanidade. É por causa dessa mudança de interpretações que existem essas novas versões de criaturas sobrenaturais, é por isso que agora vampiros podem andar tranquilamente no sol, independente do método escolhido para isso, e que lobisomens se tornaram pessoas que se transformam em animal. No caso dos lobisomens, inclusive a nomenclatura mudou. Na literatura, não se vê mais a palavra lobisomem, já que o mais usado é lobo (principalmente porque existe a versão feminina dessa criatura em muitos livros e a nossa língua não comporta uma versão feminina da palavra 'lobisomem'). No filme Sangue e Chocolate é usada a expressão francesa Loup-Garou, enquanto que no filme A Garota da Capa Vermelha a expressão usada é "o lobo".



E as criaturas com uma vasta quantidade de versões não acabam aqui. No que eu consigo contabilizar, ainda existem os Anjos, os zumbis e as diversas categorias de demônios, além da quantidade incontável de criaturas mitológicas de todas as crenças do mundo. Eu tenho a minha versão favorita de cada uma dessas criaturas, mas nenhuma delas existe no papel. Até porque, elas ainda estão dentro da minha cabeça.

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