quarta-feira, 8 de maio de 2013

[conto] Filhos do Vulcão

Perdida no tempo, houve uma cidade que tinha sido construída ao redor de uma montanha viva. Aquela não era exatamente uma montanha e ela não estava propriamente viva, mas aquele monte de terra dava provas de sua existência quando expelia um elemento que queimava. Não era fogo ou qualquer substância conhecida, mas quando a montanha cuspia, não sobrava nada em seu caminho. Um dia, a montanha acordou, mas não cuspiu seu sangue de fogo. Ela fez a terra tremer e encheu o céu com uma nuvem cinzenta, mas cuspiu pedras. Mais de cem pedras foram cuspidas pela boca da Terra naquela tarde. Mais de cem pedras foram espalhadas pela cidade, quebrando telhados e atingindo pessoas em sua queda. Eram grandes e com textura rugosa e, embora quisessem tocá-las, as pessoas não conseguiam porque algo queimava dentro daquelas pedras; algo que parecia não ver a hora de sair. Enfim, a montanha voltou a dormir e com o sono dela, adormeceu também o calor das pedras, porém elas não ficaram quietas como a montanha. Elas começaram a se mexer sozinhas e a soltar guinchos abafados de tempos em tempos. As pessoas apenas olhavam, com medo do que podia acontecer caso chegassem mais perto. E foi quando eles já tinham agarrado pedaços de madeira para se protegerem, que aquelas filhas da montanha guincharam com extrema força e explodiram. A população ficou absorta e admirada, pois, por entre os pedaços quebrados das pedras, pequenos lagartos alados abriam os olhos para a luz do dia pela primeira vez. "Não eram pedras", constataram as pessoas, ainda sem reação, "eram ovos". Eram ovos de Dragão.

Essa a versão pocket de um conto meu escrito há tempos e
uma espécie de "porvir" de um conto ainda maior.

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