quinta-feira, 20 de março de 2014

Filhinhus dimamaes, uma espécie que precisa de extinção

Existe uma espécie de ser humano que é especialista em camuflagem e em ideias retrógradas quanto à tarefas domésticas, valores morais e papeis dos gêneros na sociedade. Os exemplares dessa espécie não são tão fáceis de serem encontrados por causa de sua inacreditável habilidade de fingirem ser o que não são, mas basta algum tempo de convivência para que a gente consiga fazer o diagnóstico certo. Não é extremo dizer que os Filhinhus Dimamaes são uma espécie parasita e uma praga da sociedade, pois, apesar do poder de camuflagem, eles são responsáveis por uma influência muito negativa no meio em que vivem. Para os Filhinhus Dimamaes, todo o ecossistema em que estão inseridos gira em torno deles e tudo o que está fora do tal ecossistema, ou funciona de maneira diferente, não presta, então eles acreditam que têm o dever de mostrar ao mundo como tudo é lindo no seu ecossistema, impondo a realidade que conhece a outras espécies.

Filhinhus Dimamaes não são raros, apesar da complexidade de suas existências. Todos nós já conhecemos um exemplar dessa espécie, e acho que especialmente as mulheres são as maiores conhecedoras dos costumes desse parasita, porque a forma mais comum de fazer o diagnóstico é através de um relacionamento amoroso. Eles normalmente se aproximam de nós sob a forma de namorados ou maridos e apresentam sua forma de mundo, tentando nos convencer a pensar como eles, mas ele quase nunca são bem sucedidos. É, eu já conheci um Filhinhus Dimamaes e não recomendo a ninguém.

sábado, 8 de março de 2014

Como "Bitten" é uma série sobre os opressores

Faz algumas semanas que eu venho acompanhando uma série chamada “Bitten” que estreou na televisão canadense no ano passado. A série fala sobre o universo dos lobisomens e, principalmente, sobre Elena, uma mulher que foi a única a sobreviver à mordida de um lobo e se tornou uma loba. Elena não gosta muito da nova condição dela e faz de tudo para levar uma vida normal, mas precisa se reencontrar com a personalidade lupina quando a segurança dela e da matilha dela entra em jogo. No universo de Bitten, uma única matilha representa as leis e a ordem da sociedade lupina, então são eles quem ditam as regras e são eles que aplicam o castigo em quem transgride essas regras.

Elena Michaels
Os lobos que não fazem parte dessa matilha, dessa família, são chamados de Mutts e vivem à parte na sociedade, sem conseguir manter residência fixa e sem poder construir famílias (no caso, matilhas), porque isso é contra as leis criadas pela matilha alfa. Jeremy Danver é o lobo alfa de toda a sociedade lupina e funciona como um rei ou imperador, onde a última palavra é sempre dele e não importa o que pensem os outros, nem mesmo aqueles que vivem debaixo do mesmo teto que ele, que seriam como um conselho. Elena faz parte desse “conselho”. Apresentada a estrutura política dessa sociedade, o que vem à nossa cabeça?

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Ditadura da Depilação X Eu

- Quando eu tinha sete anos, meu apelido na creche era "Lobisomem Dentuço", uma alusão nada gentil a quantidade excessiva de pelos que eu tinha nos braços e aos meus dentes da frente levemente avantajados.

O que eu fazia depois disso? Eu chorava, porque um lobisomem dentuço não é uma coisa que se pode chamar de bonita.

- Quando eu tinha onze anos, no primeiro dia de aula da quinta série, uma colega que eu ainda não conhecia me perguntou porque as minhas canelas eram peludas. Segundo ela, eu já estava na quinta série, então eu já deveria depilar as pernas porque meninas não tinham pelos nas pernas.

O que eu fiz depois disso? Enchi o saco da minha mãe para ela me deixar depilar as pernas, porque eu queria ficar bonita.

- Quando eu tinha treze anos, passando uma semana na casa de uma tia minha, ela ficou olhando as minhas costas (mais para baixo, no cóccix [?]), durante um bom tempo e depois me disse que eu tinha muito pelo nas costas e, dando aquele sorriso de quem falava sério, mas queria fingir que era brincadeira, me disse que ficava bem estranho para uma menina ter pelos/penugem nas costas.

O que eu fiz depois disso? Voltei a usar blusas mais compridas por um tempo, porque eu tinha vergonha de ter pelos/penugem nas costas.

- Quando eu tinha quinze anos, no meio de uma conversa normal com o meu recém feito namorado, eu perguntei o que os amigos dele achavam de mim, então ele me respondeu cheio de dedos que "nada", mas ele completou depois de algum tempo dizendo que os amigos dele comentavam que eu tinha bigode.

O que eu fiz depois disso? Eu descoloria o meu buço mais de uma vez por semana para garantir que ninguém pensasse que eu tinha bigode.

- Quando eu tinha dezoito anos, uma colega me perguntou por que eu nunca tinha feito a sobrancelha, "já que ela era super grossa e parecia com a de um homem".

O que eu fiz depois disso? fiz a sobracelha, porque uma menina com sobrancelha grossa sem fazer não é bonita.

- Quando eu tinha vinte e três anos, durante uma sessão de depilação, a depiladora me perguntou se eu queria depilar os pelos da minha barriga, porque eles eram super grossos e pretos e ficava estranho ter pelos na barriga.

Sabe o que eu fiz depois disso? Eu disse "não, não precisa, eu gosto da minha barriga assim mesmo".

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

[poesia] O brilho da escuridão

Era uma noite sem lua
As luzes da cidade serviam para iluminar meu quarto
Essas luzes brilhavam como estrelas
Estrelas em terra
Estrelas no chão
Pontos amarelos e brancos que se multiplicavam
Mas estrelas não se dividiam
Estrelas apenas nasciam
Eram como pessoas aquelas luzes, então
Pessoas se multiplicavam
Pessoas povoavam lugares vazios
Aquela era uma noite sem lua
As luzes da cidade cobriam a visão da minha janela
Pontos amarelos e brancos que conquistavam a escuridão

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Em 2014, eu quero...

Eu sou uma pessoa que acredita em resoluções de fim de ano e metas para o ano seguinte. No post anterior do blog, eu fiz uma espécie de levantamento das coisas mais importantes que aconteceram em 2013 na minha vida... Eu nunca tinha feito alguma coisa parecida, na verdade, mas eu sou uma veterana em metas para o ano seguinte. É verdade que essas metas eram esquecidas logo no início do novo ano, mas dessa vez, como muitas outras coisas, eu quero cumprir, então abaixo estão minhas metas:

... Guardar dinheiro
mesmo tendo terminado a faculdade, eu não tenho perspectiva nenhuma de emprego. Uma porque os concursos na área da minha formação são escassos e outra (a principal delas) é que eu não quero trabalhar com Museologia, não agora, pelo menos. Eu tenho procurado algumas coisas, principalmente bicos, porque sinceramente, eu não quero um vínculo empregatício agora. Não quero horários certos para o resto da vida, chefe enchendo o saco no cangote para o resto da vida... Acho que eu vou acabar passando longe da efetividade nesse ano, mas eu estipulei como meta guardar, pelo menos e de qualquer maneira, R$3.000,00 numa poupança. Essa meta não existe apenas por existir, ela é parte de um plano maior, mas isso fica para outro post. Por enquanto, basta focar em guardar dinheiro.

... Escrever um livro
acho que essa é uma meta que eu carrego desde 2009. Na verdade, eu carrego a meta de terminar UM único livro desde 2009 e eu sei que tão cedo eu não vou terminá-lo. Lobisomens no interior do Rio Grande do Sul é tão fascinante que eu não consigo definir nada dessa história e eu acabo empacando... Porém, eu vou deixar de lado o projeto dos lobos nesse ano e ser menos específica quanto a essa meta: eu tenho que terminar de escrever um livro, qualquer um dentre os projetos que eu já tenho encaminhados, e conseguir um contrato com uma editora até o final desse ano. Oremos.