terça-feira, 24 de março de 2015

Dia 11 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

Antes de tudo, eu quero pedir desculpas pela última postagem do desafio que eu fiz aqui (os dias 9 e 10) e que ficaram uma boa bosta. Não, ficaram uma porcaria de bosta. Não consegui escrever o poema e estava tão cansada naquele dia que escrevi um parágrafo ridículo sobre a primeira coisa que vi na minha esquerda. Para compensar, escrevi um texto maior hoje e que dá uma visão geral e muito legal de um livro que eu venho escrevendo e aprimorando desde 2009. Sim, desde 2009!

O desafio de hoje, do décimo primeiro dia, me pedia para escrever uma história que começasse com "Nunca mais, é uma promessa" e eu resolvi escrever um trecho do meu livro baseado nessa frase. Não é uma cena original do livro, na verdade, mas eu estou escrevendo o dito cujo (e modificando) há seis anos, então é capaz de essa cena entrar no corte final da história. Enfim, o texto abaixo:


"'Nunca mais, é uma promessa!', ela disse para si própria em voz baixa quando conseguiu parar de chorar. Os olhos inchados e vermelhos olharam ao seu redor mais uma vez e ela se ergueu do gramado, finalmente achando que estava pronta para deixar o local do crime. Sim, era um crime. Não importava que tivesse sido culpa de uma natureza que ela ainda não conhecia direito, matar seu namorado porque a luz da lua a tinha modificado a ponto de fazê-la esquecer quem era, não isentava o acontecimento de ser um crime. Seu corpo nu ainda estava dolorido e ela tentou resgatar o que ainda restava de suas roupas, mas tudo estava rasgado e destruído demais para cobrir qualquer coisa. Como iria para casa? Tudo bem que o casarão antigo onde estava morando com seu pai estava a apenas um quilômetro de distância, ela podia enxerga-lo sendo iluminado aos poucos pelo singelo sol que nascia no horizonte, mas ainda seria uma caminhada muito longo para alguém nu. As pessoas acordavam cedo no campo. Ela pensou nisso e algo pareceu estalar em seu cérebro. As pessoas acordavam cedo no campo, o que queria dizer que ela precisava sair dali, e rápido, senão seria pega junto com o corpo dilacerado e meio roído de seu namorado e isso significava cadeia. Apesar da vergonha por sua nudez, ela saiu correndo em direção ao casarão, deixando que mais lágrimas caíssem pelo caminho. Lisa corria o risco de ser presa por algo que não saberia explicar. Imaginava a si própria sentada na delegacia, encarando a delegada nos olhos e dizendo que ela não tinha culpa, que uma vez por mês, sempre no primeiro dia de lua cheia, a luz gelada da lua a transformava; fazia com que lhe crescessem garras, fazia com que seus olhos e olfato tivessem poderes sobrehumanos e fazia com que uma fome sem precedentes tomasse conta de seu estômago, obrigando-a a buscar carne humana. No mínimo, sanatório. Lisa não mentiria se desse um depoimento como esse, entretanto. Era verdade, a lua cheia tinha um efeito estranho sobre ela, um efeito que ela não sabia controlar, mas que já tinha feito com que ela matasse duas pessoas para se alimentar. Uma delas tinha sido um trabalhador da fazenda do sogro de seu pai, o que alarmou a polícia, mas que foi atribuído a animais. Segundo a delegada, mortes violentas provocadas por animais, como a que tinha afligido o trabalhador, eram muito comuns de tempos em tempos, culpa de algum fenômeno ambiental, ela achava. Mas Lisa sabia que não era culpa de animal nenhum e de fenômeno ambiental nenhum. Era culpa dela. E era culpa da lua também. Ela quase não podia acreditar que Jonas tinha sido sua vítima, a segunda pessoa que ela matava e devorava. Essa era a parte que ela preferia nem pensar. O estado hipnótico em que a lua a colocava não fazia apenas com que ela matasse humanos, mas também, fazia com que ela se alimentasse deles. Um pedaço de carne humana suculenta, ainda quente e derramando sangue viscoso, era suficiente para que o transe aumentasse e ela não conseguisse parar. Tinha que encontrar uma maneira de acabar com aquele ciclo. Tinha que conseguir não ser hipnotizada e não deixar que o luar transformasse o corpo dela. Mas, como? Ela tinha essa pergunta na cabeça quando passou silenciosamente pela porta da cozinha do casarão e deu de cara com Micael, o filho adotivo da sogra de seu pai. Era um parentesco que ela ainda não conseguia entender, já que o menino era recluso e quase um louco, mas havia muito mais ali para assustá-la do que o parentesco complicado. Micael estava nu como ela, de sobrancelhas apertadas e uma expressão de dor aguda no rosto. Com as mãos sujas de sangue, Lisa tentou esconder sua nudez, mas parou ao reparar que as mãos dele e seu queixo ainda pingavam sangue quente; no chão da cozinha. Ele parecia ter se alimentado de um humano como ela... Ela engasgou. “Você também?”, ela perguntou em um sussurro e ele lhe respondeu com um aceno de cabeça. Então, ele também era como ela, também era afetado pela lua e também matava pessoas! “Minha primeira lua cheia”, ele disse, passando as mãos sangrentas pelo rosto, incomodado pelo sangue que escorria. “Temos que limpar esse chão”, Lisa disse ainda em sussurros e Micael puxou um rolo de papel toalha. Precisavam limpar aquela bagunça, limpar os próprios corpos e fingir que estavam dormindo antes que qualquer pessoa acordasse. Certamente, as duas mortes que a cidade de Nova Évora encontraria naquela manhã se transformaria no início de uma histeria e a caça ao animal feroz e selvagem que causava aquilo seria decretada. Lisa tinha um mês para evitar que a próxima vez acontecesse."

Uhhhh, lua cheia, lobos, morte..!
Acho que a eu sou um pouco obcecada por lobos.

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