sexta-feira, 3 de abril de 2015

Dia 12 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

No desafio de hoje, eu deveria imaginar a vida de uma mulher sendo drasticamente mudada no intervalo de três minutos. Eu sou daquelas que acredita que "em segundo tudo pode mudar", mas a minha personagem não. Foi um texto fácil de escrever (o mais difícil foi fechar em 500 palavras, como sempre), mas que tomou um rumo só dele. Quando eu vi, ele já estava escrito, pragmático e desilusório como só ele conseguiu ser. Abaixo o resultado tenso e que eu espero que nunca aconteça comigo:


"Eu era uma daquelas pessoas que nunca tinha acreditado na máxima de que “em um segundo, tudo pode mudar”. Para mim, a vida não acontecia assim tão depressa porque nada na minha vida tinha acontecido de um momento para o outro. Eu gostava de planejar as coisas e parecia que as coisas gostavam de ser planejadas por mim. A faculdade tinha sido planejada, a minha rotina tinha sido planejada, a minha primeira vez tinha sido planejada... Uma típica virginiana, como uma amiga minha adorava dizer. Eu não acreditava em signos. Nem em sorte. Muito menos em destino. Não acreditava em nada que não fosse palpável. Isso, até que aqueles três minutos acabassem com tudo o que eu conhecia. Nada daquilo tinha sido planejado. Eu não tinha planejado que o motorista do outro carro tivesse bebido tanto, não tinha planejado que ele invadiria a minha pista, não tinha planejado que os airbags falhariam ou que o meu carro desceria uma encosta para encontrar um lençol de pedras quando chegasse ao chão. E mesmo sem que eu tivesse planejado nada, o meu carro caiu naquela encosta e explodiu quando atingiu as pedras no chão. Eu apenas não explodi junto com ele porque fui atirada para fora no momento em que ele começou a rolar pelo ar enquanto caía. Eu não tinha planejado bater a cabeça, quebrar as duas pernas e perder os dedos de uma das mãos por ter caído sobre eles. Eu também não tinha planejado que meus dois filhos ficariam presos no banco de trás, seguros pela proteção do cinto de segurança, que eu mesma tinha esquecido de enrolar ao meu corpo por conta da agitação que era busca-los na escola. Mesmo assim, mesmo que eu não tivesse planejado que o outro carro me tiraria da estrada e que meus dois filhos morreriam enquanto eu continuava viva, tinha acontecido. Eu tinha perdido meus filhos para um destino cruel. Eu nunca tinha acreditado em deus, mas naquele momento, em que eu tentava me levantar para salvar os dois do carro em chamas, mesmo que não pudesse me mexer, eu acreditei em deus. Eu acreditei nele, mas não como aquela figura bondosa que presenteia os bons, mas sim como um homenzinho raivoso que espiona a vida das pessoas tentando encontrar qualquer brecha para castiga-los. Enquanto eu estava deitada lá, chorando por não ser capaz de conseguir me mexer, sentindo o gosto de sangue na boca e a dor extrema nos membros, eu procurei os motivos para que deus estivesse me castigando. Eu nunca tinha planejado fazer alguma coisa errada, sempre tinha analisado todas as situações para que nada afetasse ninguém e para que eu agisse da maneira mais correta e ética possível. Não havia nada. Não havia motivo nenhum que justificasse a perda das minhas duas crianças. Não consegui pensar em nada para dizer ao socorro quando eles chegassem, as palavras não se formavam na minha cabeça. Eu, provavelmente, não diria nada, só ficaria olhando para eles, catatônica. Eu tinha mudado, aparentemente."

Até ;)

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