quarta-feira, 11 de março de 2015

Dia 2 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

Segundo dia de desafio e hoje eu precisava escrever um conto usando a frase "O sorriso dela não era real". A primeira ideia que veio à minha cabeça (e à de todo mundo, aposto) foi um conto com teor romântico, algo como uma menina contrariada com alguma coisa, mas eu decidi pensar na segunda coisa, porque a primeira coisa que pensamos é sempre a mais óbvia. Veio, então, uma ideia de sorrisos que não eram reais apesar de tudo... autômatos, robôs, seres mecânicos, existências sem emoções, que não seriam capazes de dar um sorriso real, pois não conheciam a felicidade ou o agrado para o expressarem. BAM, um conto sobre autômatos a seguir:


"O sorriso dela não era real. Ergui meu dedo para apontar aquilo para os meus pais, mas minha mãe baixou o meu braço e colocou a mão em frente à minha boca antes que eu pudesse falar qualquer coisa. Eles também sabiam que nada naquele autômato era real. Os olhos azul brilhantes eram feitos de vidro, os movimentos eram pausados e pareciam doloridos, apesar de todo a tecnologia implantada neles, e aquele sorriso nada mais era do que uma expressão assustadoramente moldada em pele artificial. Tudo para que a sociedade aceitasse mais facilmente os “ajudantes domésticos que revolucionariam as relações humanas” dentro de casa sem tantos problemas de rejeição. Eu não gostava nada deles, muito menos daquele modelo feminino que tinha sido repaginado para o meu pai. Ele lia história antigas para mim, do tempo em que as pessoas ainda escreviam em papel, e as histórias que tinham robôs domésticos, como aquele que me encarava no fundo dos olhos, nunca terminavam bem. Meu pai trabalhava com eles, desenvolvedor ou programador, alguma coisa assim, eu nunca tinha conseguido prestar atenção, mas eu sabia que ele tinha sido muito importante naquele disfarce novo que a fábrica tinha resolvido implantar. Como se as pessoas pudessem esquecer que debaixo da montanha de silicone hipoalergênico estava um monte de cabos e de placas de computador. Pelo menos, eles limpavam a casa, cuidavam dos filhos e ainda tinham tempo de serem gentis com aquela voz mecânica sem o menor sinal de emoção. “Acho que fizemos um bom trabalho com a pele e com as expressões do rosto”, meu pai disse e minha mãe continuou cobrindo a minha boca porque ela sabia que eu discordaria em alto e bom som. Mal ele tinha dito isso, a coisa se mexeu e o sorriso falso desapareceu; a pele artificial se mexia com fervor no rosto da mulher robótica mostrando as mais diferentes expressões, como se meu pai tivesse acionado algum comando que mostrasse tudo o que o autômato era capaz. Eu e minha mãe demos dois passos sincronizados para trás ao mesmo tempo quando vimos aquilo. Meu pai apenas riu, satisfeito com seu trabalho."

Gostei do resultado, mesmo que ele não tenha um final. Eu não quis me estender porque gosto de trabalhar com a explanação sem objetivos, de dar descrições sem ter compromisso com os acontecimentos. Fiquei feliz com esse segundo dia ;)

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