sexta-feira, 13 de março de 2015

Dia 4 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

Quarto dia de desafio de escrita aqui no Cometa de Ideias e a ideia do desafio de hoje é trancar alguém num quarto por sete dias e escrever o que essa pessoa fez em cada um desses dias usando 100 palavras para cada dia (tá, não é bem isso que pede, mas achei que assim era mais divertido). Um pouco doentio, na minha humilde opinião, mas coisas bem bonitinhas poderiam sair daí, certo? Não na minha cabeça. Eu assisto muito Law and Order: SVU para o meu próprio bem e é claro que seria creepy. Abaixo o relato do que aconteceu quando eu prendi um cara durante sete dias dentro do meu quarto:



"Dia 1: A primeira coisa que passa pela cabeça dele quando seus olhos se abrem é “onde estou?”. Ele não reconhece nada ao seu redor, não sabe se aquele é o seu quarto, não sabe se aquelas são as suas coisas e não sabe como foi parar ali. Na verdade, depois de alguns minutos deitado de costas no colchão, encarando a luz amarela artificial que o ilumina desde que abriu os olhos, ele não tem certeza de quem é. Se levanta de um pulo e, sem vergonha nenhuma, começa a mexer nas estantes, no guarda roupas e na escrivaninha atrás de informações.

Dia 2: Ainda não sabe porque está trancado no quarto, mas já sabe que a porta não tem fechadura e que a janela está completamente bloqueada. A única luz que chega até ele é a luz amarela da lâmpada e a única maneira de controlar o tempo é o intervalo de tempo em que a luz fica desligada. Ele presumiu que aquele período era a noite. Conseguiu encontrar fotos e várias cartas e cartões dentro de uma caixa. Começou por ali a investigação. Uma menina de cabelos castanhos é a constante, então dedicou o dia a encaixar cronologicamente as fotos no chão.

Dia 3: A fila indiana de fotos da menina ainda está montada no chão quando a luz se acende e ele percebe que o dia começou. É o seu terceiro dia dentro do quarto. Se sente mal em ler as cartas que encontrou na caixa, mas ele precisa saber o que está acontecendo, então abre todas elas sobre a cama e as encaixa por data, assim como as fotos. Contam histórias interessantes aquelas cartas: namoros complicados, parentes perdidos e amizades terminadas. Não há nada ali que o ajude a saber porque ainda está trancado, mas descobriu que a menina se chama Mariana.

Dia 4: Não há uma clara ligação entre as fotos e as cartas. É como se a menina das fotos fosse uma e das cartas fosse outra. A das fotos é uma menina feliz, que combina completamente com as roupas alegres e primaveris que estão no armário. Já a menina das cartas é mais profunda e perturbada, o que combina com os livros na estante. Ela devia ler bastante e gostar bastante de moda pela quantidade das duas coisas. Se passaram quatro dias. Quatro dias e nenhuma resposta. Ele escorrega pela parede e fica observado a porta até que a luz apague.

Dia 5: A luz se acende para o quinto dia e tudo o que ele consegue enxergar no quarto é bagunça. Não conseguiu dormir e tratou de arrebentar tudo o que conseguiu encontrar na tentativa de chamar a atenção de alguém, mas só conseguiu extravasar a raiva. Rasgou as cartas, atirou as fotos para o alto e quebrou os móveis mais fáceis de manipular. Conseguiu quebrar o vidro da janela e amassar a veneziana de metal, mas encontrou madeira em seu caminho. Não adiantou empenhar o dia em destruir a madeira, pois encontrou uma parede de concreto o separando de sua liberdade.

Dia 6: Com a janela, os móveis e as evidências da menina Mariana completamente destruídas, ele passa o quinto dia no quarto deitado desconfortavelmente sobre uma cama obstruída de destruição. O caos se instaurou no ambiente e vem ganhando espaço dentro de sua cabeça. Passados cinco dias com apenas o acender e apagar da lâmpada como referência, ele não conseguiu lembrar de seu nome ou do que fazia. Não saberia responder sua idade e, muito menos, conseguiu encontrar qualquer coisa que respondesse sua pergunta inicial. “Onde estou? Porque eu estou aqui? Onde é aqui?”, ele repete o dia inteiro, se contorcendo desesperadamente.

Dia 7: A luz se acende para o sétimo dia em cativeiro, mas ele não dá a menor atenção. Não bebe qualquer líquido e nem come qualquer comida há uma semana. Não tem forças para quebrar mais nada e não tem forças para se levantar da cama. Mal sendo acendida, a luz se apaga novamente. Aconteceu antes da hora, antes que a agonia da noite começasse. Ele sente a presença de alguém no quarto, mas está fraco demais para abrir os olhos. De onde teria vindo? Era a menina Mariana? Uma agulha o pica. Adormece. Liberdade ou morte. Qualquer uma seria bom."

Tã-dã!
Meu dia de desafio favorito até agora ;)

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