sexta-feira, 20 de março de 2015

Dia 8 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

O desafio de hoje foi bem difícil de começar porque eu não tinha a menor ideia de como ilustrar uma situação incomum para um encontro. Resolvi pegar parte de uma experiência que eu tive e inventei todo o resto. Na verdade, 90% desse texto é ficção. 98%, talvez? Enfim, esse oitavo dia de desafio me pedia para descrever o encontro de duas pessoas que se conheciam em uma situação incomum. Eu tentei:


"Estava tão quente naquela tarde que eu tinha engolido sem dó uma garrafa inteira de água quase congelada e ainda estava destilando suor. Eram quase 13h e a feira logo seria aberta para o público, mas eu ainda estava correndo de um lado para o outro, tentando deixar o meu estande pronto para o dia. Tudo estava dando errado, entretanto. Eu tinha esquecido de levar uma tesoura, então tinha que cortar as coisas com os dentes, quando conseguia; faltavam cabides de saias, mais da metade das bijuterias não estava no lugar e a arara tinha caído. Caralho! Eu lembrava de ter xingado alto, fazendo o palavrão ecoar pelo galpão cheio de expositores como eu, mas nenhum deles veio em meu socorro. Tentei arrumar a arara de roupas, mas nada parecia funcionar. Xinguei alto novamente, sentindo o suor escorrer com ainda mais força pela minha testa. Estava a ponto de desistir, recolher minhas coisas e encerrar a minha participação na feira para aquele dia quando ouvi a voz atrás de mim. “Você precisa de uma ajuda?”, a voz masculina me perguntei e eu confirmei antes mesmo de olhar para trás. Na verdade, eu não podia me virar, senão soltaria uma das hastes da arara e derrubaria tudo de novo. “Ela está virada!”, ele me disse e segurou a arara no meu lugar, me afastando com delicadeza nenhuma, embora a intenção fosse a melhor. Saí de perto e apenas vi as costas do rapaz, nada de seu rosto. Cabelos curtos e claros, camiseta preta e alargadores nas orelhas. Não fazia o meu tipo, mas eu sorri. Sorri pela situação. Ele girou e apertou as hastes da arara de uma maneira que eu não consegui acompanhar e se ergueu para me olhar, depois de terminado o trabalho, com o rosto tão suado quanto o meu. De frente, ele também não fazia o meu tipo. Cavanhaque claro, olhos redondos e grandes, piercing no septo. Era bem estiloso, mas ainda não fazia o meu tipo. “Eu apertei bastante as borboletas que prendem as hastes, então é capaz de você não conseguir desmontar depois. Me chama quando for embora que eu desmonto para você!”, ele me disse, com um sorriso encantador, mas que também não fazia o meu tipo. Eu sorri em agradecimento e observei enquanto ele voltava para seu próprio estande."

Nos vemos amanhã ;)

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