domingo, 15 de março de 2015

Sobre cortes de cabelo e liberdades

Olá!

Para quem é meu amigo no Facebook, ou me segue em alguma rede social, não é novidade que eu cortei o cabelo. Até ontem de manhã, eu tinha um cabelo cacheado tão comprido que podia fazer duas voltas num coque a amarrar tudo com o próprio cabelo. Desde ontem de manhã, entretanto, eu tenho um corte pixie inspirado em parte pela Winona Ryder e em parte pela Emma Watson, mas que na hora da execução, saiu uma coisa bem original, mas parecido com o corte de uma menina anônima que eu encontrei no Pinterest. O que importa mais do que as referências e inspirações, é que eu quebrei barreiras pessoais e sociais passando a tesoura no meu cabelo. Eu explico.



Não é novidade que a sociedade tem aquela coisa de que cabelo comprido é coisa de menina e cabelo curto é coisa de menino, tanto que uma das coisas mais celebradas de um bebê do sexo masculino é o primeiro corte de cabelo, enquanto a menina tem que cortar apenas as pontinhas quando já é um pouco maior. Eu canso de ouvir comentários do tipo: "Ah, por que a mãe desse menino não corta o cabelo dele? Tá parecendo uma menina!" e sempre rebato quando eu posso. A questão é que para a vida social caminhar direito, a gente tem que seguir certas regras e essas regras incluem vestimenta, comportamento e visual. Menina tem cabelo comprido e a menina que ousar ter cabelo curto tem que apelar para mil e quinhentas coisas para não parecer um homem. Ou lésbica.

Há um ano e meio atrás, mais ou menos, eu me deparei com um vídeo da Shameless Maya, onde ela explicava o motivo de raspar a cabeça em determinada data. Ela é famosa no youtube por ter um canal que explora os medos e dá dicas para a realização pessoal. Bem auto-ajuda. No vídeo, em resumo, ela contava que tinha visto um episódio de algum reality show, onde uma mulher precisou escolher entre raspar os cabelos e ganhar o prêmio ou nada feito; ela escolher continuar com o cabelo e deu adeus ao prêmio. Maya apontou no vídeo que a mulher deposita muito da personalidade e da feminilidade dela no cabelo e eu concordo plenamente com ela. Nós, mulheres, estamos presas naquele conceito da infância, de que menina tem cabelo (cabelo comprido, de preferência) e que ele nos representa e nos define.

Maya dizia no vídeo que nós somos mais do que o nosso cabelo e eu também concordo com ela nesse ponto. Ela é mais do que o lindo afro que ela tinha e eu sou muito mais do que os cachos que eu tinha até ontem de manhã. O nosso cabelo pode ser uma expressão de quem nós somos, até porque não faria sentido colorir e cortar se não fosse para nos expressar, e ele faz parte de nós, mas ele não é "nós". Cortar o cabelo tendo consciência desse fato é muito mais do que apenas se expressar, acho que é tomar controle de nós mesmas e de nos libertar desse conceito.

Eu sempre quis ter cabelo bem curto, desde a minha adolescência, mas eu sempre ouvi que cabelo curto me deixaria com cara de menino e que cabelo cacheado só podia ser usado comprido. Desculpa sociedade, mas eu decidi que o meu cabelo não sou eu, que ele apenas faz parte de mim, e que eu não me importava com mais nada disso. Eu entendi esse conceito e cortei vinte centímetros de cabelo. Acreditem ou não, eu me sinto mais eu e mais livre com esse curtinho, apesar de precisar me olhar duas vezes no espelho durante as primeiras vinte e quatro horas para poder me reconhecer.

Foto do Instagram da Hanny Barcellos, quem me deixou de juba nova.

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