sábado, 18 de abril de 2015

Dia 14 #30DiasdeDesafiodeEscrita

Olá!

Finalmente, eu vou continuar esse desafio. Não sei porque eu empaquei e não escrevi mais nada, de repente porque o tema desse décimo quarto dia é escrever sobre um super-herói voltando do lado negro da força. BORING. Desculpem, mas foi um saco me manter no tema e eu acho que a coisa ficou mais confusa do que boa, mas tudo bem... Abaixo o meu resultado:



"O relógio soou dez horas da noite em completo silêncio, mas ela se viu arregalando os olhos e erguendo o dorso da cama de metal como se um alarme tivesse tocado. A respiração era agitada e seus músculos se contorciam naquela dança incontrolável que ela vivenciava todos os dias, exatamente quando os ponteiro do relógio anunciavam as horas. Ela podia estar dormindo e podia estar se distraindo com qualquer outra coisa, mas seu corpo sempre acordava naquele horário. Inquieta na cama, ela se forçou a fechar os olhos com força, até sentir suas pálpebras tremerem, e apertou a ponta do polegar esquerdo com força similar até que ele ficasse roxo e dormente. Precisava distrair seu corpo, confundir seus impulsos e entorpecer seus sentidos. Precisava trocar o desejo de seu organismo pela dor quase insuportável, só assim ela sentia que era dona de si novamente. Aniquilar aqueles impulsos era um caminho que ela sabia não ser fácil de ser trilhado, mas que, com certeza, se tornava cada vez menos difícil a cada dia que passava na cela especial. O polegar já estava roxo quando ela ouviu a porta de metal ranger atrás de si e, automaticamente, abriu os olhos completamente fora de foco para ver a figura ferina que se aproximava. Ela não precisava de sua visão perfeita para saber que era ele quem entrava, munido com sua dose diária de soro grená. “Olá”, ele pronunciou com dificuldade a palavra em sua voz suave que era sempre suave, sempre doce e sempre apaixonante também. Ela se viu sorrindo para a figura borrada que sentava aos pés da cama com as costas curvadas, sem perceber que fazia isso ao mesmo tempo em que controlava sua inspiração e expiração. Contar e controlar a respiração também era parte do processo de entorpecimento, mas ela nunca tinha conseguido fazer isso ao mesmo tempo em que sorria. “O Mestre disse que o soro ajudaria a se controlar melhor, não disse?”, a pronúncia dificultosa veio do borrão e ela parou de contar sua respiração. Realmente, o Mestre tinha lhe dito que aprender a arte de entorpecer seus sentidos juntamente com a injeção do soro grená ajudaria na recuperação e ele estava, ao que tudo indicava, certo. Ela sorriu para o borrão novamente e esticou o braço direito, já acostumado com as picadas da seringa. Um formigar já conhecido tomou conta de todos os seus músculos quando o borrão a tocou e ela baixou os olhos ainda fora de foco, apenas esperando que a picada acontecesse. Quando a agulha penetrou sua pele, assim como das outras vezes, ela parecer ser capaz de sentir o soro correndo por suas veias, se misturando com seu sangue e modificando mais um pouco daquilo que encontrava pelo caminho. Ela jurava ser capaz também de sentir o líquido grená chegando em seu coração e sendo bombardeado para o resto do corpo por ele, pois sempre havia um momento em que tudo era perfeito. Não existiam as dez horas, não existe a recuperação, não existia a cela... só existia ela no controle de seu próprio corpo, na companhia do homem ferino borrado e nenhum passado vergonhoso. “O Mestre acha que você vai poder deixar a cela daqui a alguns dias, que sua recuperação é a melhor de todas as que ele assistiu”, a figura ferina continuou, dizendo as palavras confusas bastante devagar para que ela conseguisse entender e ela sorriu mais uma vez, dessa vez porque estava tomada por aquela sensação de bem estar e porque seus olhos voltaram ao normal. Ela conseguia ver perfeitamente a figura sentada aos pés de sua cama e isso sempre a maravilhava porque nunca antes, mesmo em todos os anos que passara trabalhando para o lado errado, ela tinha visto coisa parecida. Corpo curvado, olhos redondos, orelhas pontudas, dentes afiados e cauda comprida. O homem por quem ela tinha se apaixonado era único e especial, uma figura de fera com coração bom e puro. “Obrigada, Daneel, essa é uma ótima notícia!”, ela conseguiu responder, sentindo que cairia naquele sono que parecia não ter fim. Um sono repleto de sonhos que nunca se repetiam e que nunca se tornavam pesadelos, que nunca mostravam as coisas terríveis que ela tinha feito em seu passado sombrio, mas apenas as coisas que ela queria conquistar quando o tratamento do Mestre acabasse. “Boa noite, minha Nitma”, Daneel deixou as palavras atropeladas saírem de sua boca e Nitma sorriu, sentindo os olhos se fechando e o corpo caindo no colchão. Ela já estava adormecida e não sentia mais nada, mas Daneel levou seus lábios de fera até a testa dela e depositou ali o mais estranho dos beijos, mas que desejava sorte na missão do soro grená de continuar matando a maldade que ainda existia dentro dela."

Ok. Juro que eu tentei escrever sobre uma super-heroína, mas acho que ficou um pouco implícita essa questão. Era para escrever sobre alguém que voltava do lado sombrio e a minha personagem está voltando. Não da maneira tradicional, mas está. Que tal?

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