quarta-feira, 13 de maio de 2015

A crise dos vinte e cinco

Contando exatos dois meses para o futuro, esta que vos fala estará completando seu primeiro quarto de século, o que quer dizer que eu vou ter que apagar 25 velinhas de cima de um bolo de um só sopro e fazer um desejo. Eu apenas me dei conta do que tudo isso significa dias atrás, quando eu realizei que eu não sou nada daquilo que eu achei que eu seria quando chegasse aos vinte e cinco anos.

Eu não sou uma super profissional em algum lugar bacana, eu não tenho um namorado e eu não tenho uma perspectiva incrível de futuro. Tudo bem que eu consegui terminar uma faculdade e já descobri o que eu quero ser quando crescer, mas eu ainda moro com meus pais e estou morrendo para pagar as poucas contas que tenho porque eu estou desempregada.

Há poucos dias, um ex-colega de faculdade mandou um e-mail endereçado a mim, e a mais alguns colegas da mesma geração, com um texto da internet que nos definia como “a geração movida pela pressão” (ou algo nesse sentido) e no corpo do e-mail esse colega sentia por nós, por termos que ser sempre melhores e mais bem sucedidos do que os outros. Não é mentira, até acho que é mais verdade do que eu quero acreditar.

Quando eu era adolescente, eu tive que fazer um exercício em aula que me pedia para imaginar minha vida dez anos no futuro, todo mundo já teve que fazer isso algum dia, e a vida que eu imaginei não se parecia em nada com a que eu tenho. Segundo o meu eu de quinze anos, eu estaria começando uma família nesse momento, teria um emprego que pagasse minhas contas com folga e moraria numa apartamento muito bacana e estaria frequentando os lugares mais badalados da cidade. O meu eu de (quase) vinte e cinco anos responde a isso com desemprego, tentativas e mais tentativas de encontrar um caminho de viver de arte e vários relacionamentos que acabam antes mesmo de começar.

A Mariana adulta perde bastante tempo se comparando com os seus amigos também. A melhor amiga tem um emprego bacana, apesar de puxado, está terminando a faculdade que ama e começou uma relação com um cara que tem tudo a ver com ela. Uma das melhores amigas da escola é casada e mãe adotiva de dois meninos, enquanto outra melhor amiga de escola é mãe honorária do filho do marido. Mariana se sente pressionada por essas e outras e concorda com o e-mail do colega.

Sim, eu admito, eu me sinto mal onde eu estou porque eu me sinto fracassada. Esse é o mal da minha geração: se espera tanto da gente que qualquer passo em falso é motivo de desespero. Eu li em algum lugar que o número de jovens de vinte e poucos depressivos é o maior das últimas décadas... precisa dizer o porquê?

De um lado nos dizem que os trinta de hoje são os vinte de ontem e que a adolescência se estendeu até os vinte e cinco, mas por outro lado, a pressão de ser um adulto, no sentido mais pragmático e responsável da palavra, nos esmaga. A mídia nos bombardeia com exemplos de jovens atores e jovens presidentes de empresa que se destacam ainda mais jovens do que eu, quase que esfregando na minha cara que o meu tempo está passando, que eu tenho que me decidir, que eu preciso me mexer, que eu preciso encontrar o meu caminho... e se eu já tiver encontrado e estiver trilhando esse caminho?

Eu preciso lembrar a mim mesma todos os dias que cada um tem o seu tempo, o tempo de cada um pertence a cada um e eu tenho o meu tempo. Eu tive o meu tempo de fazer faculdade e não querer trabalhar na área, tive meu tempo de trabalhar formalmente em uma empresa e tive meu tempo de me demitir e de parar para pensar naquilo que eu queria. Eu quero ser escritora, quero viver da minha arte e isso eu só vou conseguir fazer no meu tempo, num tempo que é só meu e que não diz respeito a mais ninguém além de mim.

Talvez essa depressão toda volte a me assolar quando eu apagar as minhas vinte e cinco velinhas em julho, mas eu tenho quase certeza de que vou me lembrar imediatamente dessa questão importante do tempo, então tudo vai voltar ao normal.

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