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Mostrando postagens de Junho, 2015

Sobre uma tarde agridoce

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Caminhando com uma vagareza sem igual, como que para esticar ao máximo os dez passos que precisava dar, ela olhou o relógio com as sobrancelhas apertadas e sentiu seu coração diminuir tanto de tamanho que doeu. O sol já tinha dado seu lugar ao mais lindo crepúsculo que ela já tinha tido a oportunidade de ver, o frio da noite já estava fazendo seus pelos se arrepiarem e seu ônibus logo passaria no ponto. Ela tinha consciência de que precisava ir embora, mas como fazer seu corpo realizar que precisava se despedir dele? Os olhos dela ergueram-se de súbito quando a voz grave dele soou, despertando-a da letargia da despedida.

- Já está na hora? – ele perguntou, continuando a caminhada até se afastar das pessoas que também esperavam o ônibus como ela. Ele tinha as mãos enterradas nos bolsos dos jeans, protegendo os dedos do vento.

- Sim – ela conseguiu responder, sentindo que a voz teria falhado se respondesse mais do que a afirmativa curta. Caminhou até ficar de frente para ele, erguendo …